Política, Cultura, Ambiência, Educação serão os principais temas deste blog, todo opinião será considerada.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
O LEGADO DO PÓS COPA
Boa leitura
Jefferson.
A verdade após 2014
África do Sul não teve legado e Brasil também não terá, diz jornalista britânico em artigo
Simon Kuper: Brasil vai descobrir a verdade após 2014 (crédito: Vincent Lignier)
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Simon Kuper*
postado em 03/08/2010 11:36 h
atualizado em 09/08/2010 12:42 h
Aconteceu há cerca de um mês na África do Sul e forneceu um presságio de como terminarão a Copa de 2014 e a Olimpíada 2016, no Brasil. Num sábado gelado em Johannesburgo, dezenas de autoridades brasileiras estavam em um centro de convenções chique, para ouvir representantes sul-africanos explicar como é, realmente, sediar uma Copa - nas palavras de um dos sul-africanos, para ouvir sobre "alguns dos cortes e contusões que sofremos".
Os brasileiros ouviram coisas pouco animadoras. Talvez a mais desanimadora tenha vindo de uma senhora (cujo nome não citarei), alta funcionária de Gauteng, a Província onde fica Johannesburgo. Ela contou que, no início de 2009, analisou o impulso econômico projetado que a África do Sul vinha dizendo a seus cidadãos que a Copa traria ao país. Ela olhou e não encontrou quase nada.
A África do Sul vinha dizendo (como está dizendo o Brasil agora) que o Mundial aumentaria o turismo, geraria empregos, levaria à construção de infraestrutura útil e assim por diante. O que ela percebeu em 2009 foi que: "[A Copa] não nos traria os benefícios que tínhamos dito ao país que nos traria". É verdade que o torneio melhoraria um pouco o transporte público de Johannesburgo, mas "não tanto quanto pensávamos".
E assim, mais de um ano antes do pontapé inicial, Gauteng deixou de lado as esperanças de um reforço econômico. Em vez disso, passou a enxergar a Copa do Mundo como exercício de "branding" -"praticamente um comercial de 30 dias de duração de Gauteng". E isso foi tudo o que ela mostrou ser, disse a senhora aos brasileiros.
Perguntei a ela por que todo o tão divulgado reforço econômico não chegara a acontecer. Novamente ela foi franca. "Se você analisar as pesquisas sobre megaeventos, todas as conclusões são que os retornos econômicos são altamente inflados por pessoas que esperam lucrar com os eventos." É por isso que consultorias contratadas pelo governo brasileiro para "estimar" (ou adivinhar) o reforço econômico que o Brasil terá com sua Copa e sua Olimpíada escrevem relatórios tão otimistas.
A história contada por essa senhora é a história de quase todas as Copas, das Olimpíadas e dos estádios construídos pelos contribuintes: o estímulo econômico prometido nunca chega a se concretizar, como Stefan Szymanski e eu mostramos em nosso livro "Soccernomics". O Brasil vai descobrir a mesma verdade depois de 2014.
*Simon Kuper é colunista do jornal britânico "Financial Times" e coautor do livro "Soccernomics". Tradução de Clara Allain. Publicado originalmente no caderno "Esporte" da "Folha de S.Paulo" em 3/8/2010
TECNOLOGIA, UMA OPÇÃO INTELIGENTE PARA MELHORAR A VIDA URBANA
Tecnologia, uma opção inteligente para melhorar a vida urbana
Especialista em TI inicia série de artigos sobre Cidades Inteligentes para a Copa de 2014
A partir deste mês iniciamos a publicação de artigos de Cezar Taurion, especialista em TI, sobre o tema "Cidades Inteligentes". Taurion, que atua na IBM, defende a implantação de recursos de tecnologia nas cidades brasileiras para otimizar o uso da infraestrutura existente: ruas, metrôs, BRTs e VLTs, aeroportos, estações de transporte, sistemas de água e de energia. Enfim, investir mais em chips e menos em concreto e aço. Leia o primeiro texto da série.
A revolução tecnológica está nivelando o campo de atuação da economia global, permitindo que pessoas em todo o planeta possam conectar-se, colaborar e competir entre si. Vivemos em um mundo em que a tecnologia aumentou a produtividade, criou novos produtos e fez surgir empresas inovadoras, que criaram novos modelos de negócio.
Podemos hoje participar de um mercado global, comprando e vendendo produtos e serviços de e para qualquer lugar do mundo. Vemos também a ascensão econômica de milhões de pessoas, que estão subindo as paredes da pirâmide econômica, recebendo salários e entrando no mercado consumidor. A ascensão econômica da classe C no Brasil é um retrato desta situação. O mesmo está acontecendo na Índia, China, Indonésia, Filipinas e em dezenas de outros países.
Mas, ao mesmo tempo enfrentamos dois grandes desafios que, ao lado da globalização, estão mudando nosso planeta e nossas vidas: o crescimento populacional (com subsequente aumento explosivo da população nas cidades) e o aquecimento global.
Vemos a aceleração da migração de populações para as cidades. A cidade moderna, uma das maiores invenções coletivas da humanidade, permitiu a criação de uma economia em escala, o que seria impensável em um mundo agrícola. Com sua aglomeração de processos complexos, a cidade torna possível a civilização contemporânea.
Em 1800, a maior cidade do mundo era Londres, na Inglaterra, com cerca de um milhão de habitantes. Em 1960, o planeta tinha 111 cidades com mais de um milhão de pessoas. Em 1985 já eram 280 e hoje mais de 300, das quais 13 estão no Brasil. O número de megacidades (com 10 ou mais milhões de habitantes) subiu de cinco em 1975 para 14 em 1995. Ou seja, em apenas 20 anos mais que dobrou o número de megacidades.
A cada ano, mais de 60 milhões de pessoas em todo o mundo migram para as cidades. Em 2008, mais da metade da população da Terra já estava morando em cidades. Estima-se que em 2050 pelo menos 70% da população do mundo estará concentrada nas cidades e megacidades.
Algumas análises mostram que as áreas urbanas já são responsáveis por mais de 80% das emissões de carbono e 60% do consumo de água potável do planeta. As cidades, que não ocupam mais que 3 a 5% do espaço do mundo, consomem mais de 75% dos recursos naturais.
No Brasil a situação também é bastante grave. Em 1975, 61,8% dos brasileiros viviam em cidades. Em 2000 já eram 81,2% e em 2015 serão 87,7%. Na verdade, em duas gerações deixamos de ser um país rural para ser um país urbano. Nossas cidades tiveram que acomodar entre 1950 e 2000 aproximadamente 120 milhões de brasileiros, provenientes do crescimento vegetativo e de correntes migratórias do mundo rural para o urbano.
No caso brasileiro, as cidades médias também apresentam maior crescimento populacional que as grandes cidades, com um percentual em torno de 2% ao ano, acima da média nacional. Esta migração acontece pelo simples fato de que a humanidade procura as cidades porque as oportunidades de desenvolvimento humano, econômico e social tornam-se realizáveis dentro das condições de economia de escala, proporcionadas pelos aglomerados urbanos.
É nesse contexto que devemos ver as duas grandes oportunidades que temos à frente de modernizar nossa infraestrutura: a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. A Fifa, organizadora da Copa, fixa prazos para várias mudanças, que envolvem: construção e remodelação de estádios, modernização de aeroportos, sistemas viários e hotelaria, além da reurbanização das doze cidades-sede do Mundial de 2014. Estima-se que cerca de 155 bilhões de reais serão injetados na economia brasileira até o último dia da competição.
Congestionamento e poluição
Dos graves problemas de infraestrutura de nossas cidades, vamos exemplificar analisando um dos principais, que atinge as grandes cidades, que é o trânsito e seus congestionamentos crônicos.
Historicamente, a explicação para a complexa situação do trânsito nas cidades brasileiras é o desenvolvimento urbano, que após a Segunda Guerra viveu uma explosão gigantesca. Na Europa, com cidades muito mais antigas que as americanas, as ações se concentraram na reconstrução urbana, privilegiando revitalizar, recuperar e reciclar áreas urbanas decadentes. Diferente dos Estados Unidos, onde o crescimento se deu pela suburbanização, numa visão de desenvolvimento urbano que privilegiou a expansão rumo a novos territórios. O acesso aos subúrbios americanos se deu por automóveis, via highways. Os subúrbios se desenvolveram atraindo condomínios e malls.
O Brasil foi muito influenciado por esse modelo americano. Começou a ganhar corpo por aqui a proposta de se oferecer casas e condomínios distantes das áreas centrais. Assim, foram nascendo bairros como Alphaville em São Paulo e Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. A opção de promover a mobilidade urbana pelo automóvel gerou o crescimento exponencial da frota, transformando as cidades em áreas sujeitas a congestionamentos crônicos. O transporte público de massa foi praticamente negligenciado.
"Cidade inteligente é a que otimiza a capacidade da infraestrutura já existente. Com o uso inteligente de tecnologias, o mesmo número de ruas suporta muito mais automóveis, ônibus ou VLTs, além de veículos limpos, como as bicicletas e outras opções leves de transporte"
A contrapartida pela opção no uso intenso do automóvel como meio de locomoção é o congestionamento e a poluição, como sabemos. A cronificação dos congestionamentos afeta negativamente a qualidade de vida e a produtividade das cidades. Os problemas de congestionamento não irão se resolver colocando-se mais lombadas e mais semáforos. Nem abrindo mais ruas e construindo-se mais viadutos. Aliás, o poder público não tem mais espaço, dinheiro e nem tempo para abrir novas vias nas grandes cidades.
Mas a tecnologia nos permite construir sistemas de controle que previnam congestionamentos. Ou que disciplinem o acesso a regiões centrais, por meio de sistemas automáticos de pedágios urbanos. Estes poucos exemplos simbolizam que podemos pensar em substituir matéria-prima por conhecimento.Embora não seja possível construir um prédio com bits, podemos usar os bits para criar materiais e projetos mais inteligentes, construindo prédios com menos tijolos e cimento e mais sustentáveis ecologicamente.
As grandes cidades estão diante de grandes desafios. A tecnologia está cada vez mais barata e acessível. Existem bilhões de sensores, redes de comunicação e capacidade computacional suficientes para processar informações em quantidades incomensuráveis. Redes wireless podem ser usadas não apenas para conectar notebooks, mas também para conectar sensores.
Uma cidade inteligente é a que otimiza a capacidade da infraestrutura já existente. Com o uso inteligente de tecnologias, o mesmo número de ruas suporta muito mais automóveis, ônibus ou VLTs, além de veículos limpos, como as bicicletas e outras opções leves de transporte. Também é menor o consumo de recursos como água e energia, diminuindo-se o seu desperdício. Não bastasse, muitas vezes os investimentos em tecnologia tendem a ser bem menores do que investimentos em obras físicas. Infelizmente, nossas cidades ainda estão no mundo analógico... Mas a oportunidade é agora.
*Cezar Taurion é economista, mestre em Ciências da Computação e gerente de Novas Tecnologias da IBM
A ORLA DE PORTO ALEGRE E A COPA DE 2014
Jefferson
A orla de Porto Alegre e a Copa 2014
Em artigo, secretário gaúcho defende a integração de ações nas cidades ribeirinhas
Região das docas, em Porto Alegre (crédito: Paulo Roberto)
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Paulo Odone de Araújo Ribeiro*
postado em 15/03/2010 18:57 h
atualizado em 09/08/2010 12:36 h
A sanção do projeto de revitalização do Cais Mauá pela prefeitura de Porto Alegre, no começo de março, encerrou uma etapa de plenos esforços da capital e do governo do estado. Representa um momento histórico para todos os gaúchos, que finalmente poderão desfrutar um de seus mais belos cartões-postais. Significa, ainda, um incentivo para que levemos um projeto de desenvolvimento para as orlas de outros municípios. Agindo dessa forma, com a intenção de agrupar diferentes visões em favor do bem comum do estado, damos um passo fundamental para fazer da Copa do Mundo 2014 um momento inesquecível. Para isso, é imprescindível que exista uma consciência conjunta sobre a necessidade de integração entre os municípios da orla do Guaíba e da região do Delta do Jacuí.
Tendo em mente essa concepção de unificar esforços e expandir ações, no último sábado a Secretaria da Copa do estado promoveu, pela orla do Guaíba, uma visita técnica que contou com a presença de um representante do Banco Mundial, o egípcio Sameh Wahba. O objetivo era avaliar um possível tratamento de revitalização da orla não apenas de Porto Alegre, mas também da Região Metropolitana. Mostrando que a causa mobiliza grande parte dos gaúchos, compareceram prefeitos e representantes de Barra do Ribeiro, Guaíba, Eldorado do Sul, Porto Alegre, Canoas, Triunfo e Nova Santa Rita.
Esse futuro projeto deve contemplar a integração das orlas metropolitanas pelo viés da sustentabilidade – turística, econômica e ambiental, com os municípios fazendo parte de um planejamento detalhado que permita a cada um oferecer seus atrativos particulares. Seria uma revolução no potencial turístico e econômico da Região Metropolitana. Para que isso ocorra, no entanto, é preciso que trabalhemos unidos e com afinco, independentemente das preferências partidárias. Porque a realização do Mundial no Brasil não resolve automaticamente os nossos problemas, mas é indiscutível que se trata de um gatilho para solucionar questões históricas de infraestrutura.
O ideal é que o resultado dessa empreitada seja sentido de forma imediata já em 2014, quando Porto Alegre sediará jogos da Copa do Mundo. Evidentemente, o Rio Grande receberá um grande contingente de turistas ansiosos por alternativas de cultura, gastronomia e lazer, querendo conhecer a fundo tudo que o estado tem a oferecer. Na Alemanha, em 2006, por exemplo, de cada 10 turistas, apenas quatro assistiram aos jogos no estádio. O restante viajou para lá com o objetivo único de aproveitar as Fan Fests, conhecer as cidades e vivenciar o clima do Mundial.
Esse é o tipo de iniciativa que estamos privilegiando ao pensar na preparação do estado para 2014. Porque mais importante do que tornar-se um acréscimo nas opções voltadas para o turismo durante o Mundial é que, no futuro, as orlas renovadas permanecerão à disposição de todos gaúchos.
*Paulo Odone é Secretário Extraordinário da Copa 2014 no Rio Grande do Sul
O BRASIL PODE REALIZAR A PRIMEIRA COPA DA SUSTENTABILIDADE
O Brasil pode realizar a primeira Copa da Sustentabilidade
Em artigo, presidente do IPVC defende que o país trabalhe para fazer o primeiro Mundial "verde"
A Copa da África do Sul acabou e parece que a bola do próximo Mundial já começou a rolar por aqui. A impressão é de que os próximos quatro anos passarão numa velocidade bem maior, tamanha é nossa ansiedade de ver o Brasil voltar a sediar um evento desse porte. Aos poucos começamos a sentir este movimento. O país segue confiante no desenvolvimento de sua economia, com amplas perspectivas de crescimento. A Copa de 2014 e também a Olimpíada de 2016 podem acelerar esse processo e contribuir para o desenvolvimento do País, especialmente na melhoria da qualidade de vida, com soluções urbanas ambientalmente adequadas.
A infraestrutura necessária para receber eventos desse porte é tema central de uma discussão invariavelmente pessimista e que parece não ter fim. No entanto, o governo já começou a tratar da melhoria nos transportes, estádios, hotéis e diversos pontos necessários para a realização dos jogos nas doze cidades-sede da Copa de 2014. Somam-se pelo menos R$ 79 bilhões de investimentos em obras. Esse montante impressiona e nos dá a real ideia da dimensão dos negócios que podem ser gerados e revertidos em desenvolvimento. Muitos do que hoje julgam a infraestrutura como a principal adversária do Brasil na próxima Copa esquecem que o país é pioneiro em diversas tecnologias "verdes".
Este avanço tecnológico é muito importante neste momento pois espera-se que nosso mundial entre para a história como o primeiro a estabelecer padrões ambientais a serem cumpridos por empresas privadas e governo na busca de soluções sustentáveis. A sustentabilidade ambiental será a marca da Copa do Brasil de 2014. O evento abre uma série de oportunidades para as indústrias ligadas à construção civil e saneamento básico, exigindo não só a construção e reforma de estádios como obras nas cidades sedes e em outras que têm apelo turístico.
O país deverá se movimentar não só para atender às exigências da Fifa, mas principalmente para resolver problemas que atingem diretamente seus cidadãos há décadas. Aos que criticam, fica o alerta para que joguem no mesmo time, pois precisamos deixar um legado pós-Copa do Mundo, independentemente de quem vai levantar o caneco.
PVC, um material sustentável
A indústria, por sua vez, faz sua parte, desenvolvendo soluções e tecnologias que ajudem neste equilíbrio, conscientizando-se de que os processos de melhoria dependem de um todo. A cadeia produtiva do PVC, por exemplo, tem dado sua contribuição para o desenvolvimento sustentável e tecnológico do Brasil, pois queremos que o País tenha cada vez mais indústrias e energia limpas, serviços competentes, além da utilização de recursos naturais com tecnologia e sustentabilidade.
O PVC, que é o principal plástico da construção civil e do saneamento básico, sem contar a sua importante participação na arquitetura, vai contribuir bastante nos processos de saneamento, tratamento de esgoto, reutilização de água e revitalização de bairros, entre outros benefícios, necessários ao evento e principalmente seu legado. O PVC é o único plástico que não é 100% derivado do petróleo, já que 57% de seu peso têm como matéria-prima o sal marinho, um recurso inesgotável na natureza. Adicione-se a isso o fato de que o Brasil detém tecnologia de ponta para substituir os 43% de petróleo que o compõem por cana-de-açúcar, ou seja, o PVC 100% derivado de recursos naturais inesgotáveis.
Outro aspecto que mostra a sustentabilidade do PVC é o fato de ser 100% reciclável. Os índices de reciclagem do PVC beiram os 20% no Brasil. Assim o uso do PVC contribui definitivamente para uma nova vertente na arquitetura: a sustentabilidade. O PVC atende às exigências para projetos contemporâneos, reformas, restauração no Brasil, onde vem se tornando uma das melhores opções para projetos residenciais, comerciais e industriais.
A arquitetura e a construção civil respondem por 64% do consumo de PVC, o que mostra suas vantagens para essa aplicação. Suas propriedades de isolamento térmico e acústico, além de ser antichamas, ter longa vida útil, alta resistência e ser de baixa manutenção, são algumas das características que dão ao PVC ótima relação custo-benefício, proporcionando, assim, a competitividade necessária neste segmento.
O Green Building Council dos Estados Unidos, o mais importante órgão quando o tema é Construção Sustentável, divulgou um relatório que atesta a segurança do PVC. Ele mostra que a performance do PVC é igual ou até mesmo melhor que a de materiais concorrentes utilizados no setor. Fica claro que o PVC é completamente adequado a todos os padrões no que diz respeito a impactos ambientais e de saúde humana.
Na Copa da África do Sul, o PVC permitiu a solução tecnológica para a cobertura do estádio Green Point, em Cape Town. Já na Copa da Alemanha, cinco dos sete estádios construídos ou reformados usaram o material, experiência iniciada na Copa da França. Assim, as obras de arquitetura e infraestrutura que cada cidade vai necessitar para ser sede da copa prometem incrementar o uso do PVC.
O legado que um evento como a Copa de 2014 deixará para o país é o objetivo que nos impulsiona a tomar medidas para manter a expansão nos anos seguintes, enfocando na eficiência e na produtividade. Para que o Brasil, porém, consiga aproveitar todo esse potencial, há uma partida que precisa ser vencida todos os dias nos próximos quatro anos, que é a luta pelo planejamento. Um evento como esse favorece não apenas o esporte e a economia, mas principalmente o futuro da sociedade.
*Miguel Bahiense é engenheiro químico e presidente do Instituto do PVC
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
COPA DE 2014 NO NORDESTE
Sexta, 03 de Set de 2010 às 07:30:32
Jornalista do Porta Copa 2014 diz: " Do que vai adiantar tudo isso se quando acabar voltaremos para nosso futebolzinho amador?"
O texto é do jornalista sergipano Carlos Sergipe para o Portal Copa 2014"Esse negócio de Copa do Mundo no Nordeste está cada vez mais claro para mim que acontecerá da mesma forma que ação de prefeitura quando vai para bairro carente fazer um dia de ação social. Vai lá, leva sua infra-estrutura de alimentação, esportes, lazer em geral, e transforma aquele dia-a-dia sofrido num dia de sonhos.
É o que acontece com Natal, por exemplo, que atualmente tem um time na Série B e outros dois na Série C, tem um fraco campeonato estadual e, incrivelmente, foi a sede brasileira que mais gastou no quesito projeto para a Copa de 2014: R$ 27 milhões (quase o dobro da terceira que mais teve custos). Isso sem falar no custo de cerca de R$ 400 milhões que o Estádio das Dunas vai trazer e todas as outras ações do governo do Rio Grande do Norte, nas áreas de mobilidade urbana, aeroportos, turismo, etc. Aí eu pergunto: do que vai adiantar tudo isso se quando o encanto da Copa acabar voltaremos para os nossos estaduais esvaziados, para os nossos times sem estrutura, para o nosso futebolzinho amador?
E não adianta vir com esse papo que toda essa estrutura vai impulsionar o crescimento do nosso futebol, que eu não caio nessa balela! Afinal você já viu alguém dá um jatinho a um menino pobre e ele saber utilizar? Você já viu alguma pessoa sem instrução ganhar R$ 20 milhões na loteria e fazer esse dinheiro render? Já imaginou como um milionário e gigante Estádio das Dunas (capacidade: 45 mil lugares) será mantido só com o clássico ABC x América-RN? E um Baptistão reformado para receber mil pagantes (e dois mil não pagantes…) para ver Confiança x Sergipe?
Detalhe é que desde o início de 2009, quando comecei a fazer a cobertura jornalística das sedes e das possíveis subsedes nordestinas para o Portal Copa 2014, ouvi promessas que as licitações estavam prontas e que o trabalho estava acelerado e, inclusive, à frente de outras regiões do Brasil. Tudo conversa fiada! Natal ainda está em fase de licitação para o Estádio das Dunas. Recife conseguiu só essa semana a liberação ambiental para começar as obras da Cidade da Copa. Já a nova Fonte Nova, em Salvador, e o novo Castelão, em Fortaleza, estão na mesma e preocupante situação".
Tags: Copa 2014 .
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Guris, entrem lá e se divirtam.
Divirtam-se
Quem me acompanha sabe que um dos mestres da minha carreira foi o técnico Nils Liedholm. Trabalhei com ele nos tempos da Roma. Sempre que vejo um time aflito pelo resultado, como parece ser o caso do Grêmio antes da partida decisiva desta noite contra o Guarani, lembro das palestras de Liedholm. Ele entrava no vestiário, ajeitava uma cadeira, sentava-se confortavelmente com as pernas estendidas, tendo os jogadores à frente, e explicava seu plano tático em detalhes, sempre com clareza. No fim, dava o recado final:
– Guris, entrem lá e se divirtam.
Era sua forma de fazer com que o time chegasse ao campo leve, descontraído, sem o peso excessivo que por vezes atrapalha tudo. Costumo citar Liedholm em momentos como o desta noite, quando um time importante como o do Grêmio está pressionado. É a hora em que uma mensagem como “entrem lá e se divirtam” tem um valor insuperável.
Futebol é, acima de tudo, a capacidade de divertir. Sei muito bem que a filosofia de homens como Liedholm é uma raridade nos dias atuais. O que mais se ouve são mensagens em linguagem bélica (“lutem, façam guerra, o bicho vai pegar”, por aí). É evidente que em um time pressionado desta maneira tudo vira drama, de um passe errado a um gol perdido.
O futebol se complementa com uma dose correta de seriedade e para isso servem os treinos da semana, mas fica muito melhor se incluir boa dose de alegria e leveza. Se estivesse no lugar do Renato esta noite, no momento em que as portas do vestiário fossem abertas diria aos jogadores:
– Guris, entrem lá e se divirtam.
Consolidar a ruptura histórica operada pelo PT
Leonardo Boff*
Para mim o significado maior desta eleição é consolidar a ruptura que Lula e o PT instauraram na história política brasileira. Derrotaram as elites econômico-financeiras e seu braço ideológico, a grande imprensa comercial. Notoriamente, elas sempre mantiveram o povo à margem da cidadania, feito, na dura linguagem de nosso maior historiador mulato, Capistrano de Abreu, "capado e recapado, sangrado e ressangrado". Elas estiveram montadas no poder por quase 500 anos. Organizaram o Estado de tal forma que seus privilégios ficassem sempre salvaguradados. Por isso, segundo dados do Banco Mundial, são aquelas que, proporcionalmente, mais acumulam no mundo e se contam, política e socialmente, entre as mais atrasadas e insensíveis. São vinte mil famílias que, mais ou menos, controlam 46% de toda a riqueza nacional, sendo que 1% delas possui 44% de todas as terras. Não admira que estejamos entre os países mais desiguais do mundo, o que equivale dizer, um dos mais injustos e perversos do planeta. Até a vitória de um filho da pobreza, Lula, a casa grande e a senzala constituíam os gonzos que sustentavam o mundo social das elites. A casa grande não permitia que a senzala descobrisse que a riqueza das elites fora construída com seu trabalho superexplorado, com seu sangue e suas vidas, feitas carvão no processo produtivo. Com alianças espertas, embaralhavam diferentemente as cartas para manter sempre o mesmo jogo e, gozadores, repetiam: "façamos nós a revolução antes que o povo a faça". E a revolução consistia em mudar um pouco para ficar tudo como antes. Destarte, abortavam a emergência de outro sujeito histórico de poder, capaz de ocupar a cena e inaugurar um tempo moderno e menos excludente. Entretanto, contra sua vontade, irromperam redes de movimentos sociais de resistência e de autonomia. Esse poder social se canalizou em poder político até conquistar o poder de Estado. Escândalo dos escândalos para as mentes súcubas e alinhadas aos poderes mundiais: um operário, sobrevivente da grande tribulação, representante da cultura popular, um não educado academicamente na escola dos faraós, chegar ao poder central e devolver ao povo o sentimento de dignidade, de força histórica e de ser sujeito de uma democracia republicana, onde "a coisa pública", o social, a vida lascada do povo ganhasse centralidade. Na linha de Gandhi, Lula anunciou: "não vim para administrar, vim para cuidar; empresa eu administro, um povo vivo e sofrido eu cuido". Linguagem inaudita e instauradora de um novo tempo na política brasileira. O "Fome Zero", depois o "Bolsa Família", o "Crédito Consignado", o "Luz para Todos", o "Minha Casa, minha Vida, o "Agricultura familiar, o "Prouni", as "Escolas Profissionais", entre outras iniciativas sociais permitiram que a sociedade dos lascados conhecesse o que nunca as elites econômico-financeiras lhes permitiram: um salto de qualidade. Milhões passaram da miséria sofrida à pobreza digna e laboriosa e da pobreza para a classe média. Toda sociedade se mobilizou para melhor.
Mas essa derrota infligida às elites excludentes e anti-povo, deve ser consolidada nesta eleição por uma vitória convincente para que se configure um "não retorno definitivo" e elas percam a vergonha de se sentirem povo brasileiro assim como é e não como gostariam que fosse. Terminou o longo amanhecer.
Houve três olhares sobre o Brasil. Primeiro, foi visto a partir da praia: os índios assistindo a invasão de suas terras. Segundo, foi visto a partir das caravelas: os portugueses "descobrindo/encobrindo" o Brasil. O terceiro, o Brasil ousou ver-se a si mesmo e aí começou a invenção de uma república mestiça étnica e culturalmente que hoje somos. O Brasil enfrentou ainda quatro duras invasões: a colonização que dizimou os indígenas e introduziu a escravidão; a vinda dos povos novos, os emigrantes europeus que substituíram índios e escravos; a industrialização conservadora de substituição dos anos 30 do século passado mas que criou um vigoroso mercado interno e, por fim, a globalização econômico-financeira, inserindo-nos como sócios menores. Face a esta história tortuosa, o Brasil se mostrou resiliente, quer dizer, enfrentou estas visões e intromissões, conseguindo dar a volta por cima e aprender de suas desgraças. Agora está colhendo os frutos.
Urge derrotar aquelas forças reacionárias que se escondem atrás do candidato da oposição. Não julgo a pessoa, coisa de Deus, mas o que representa como ator social. Celso Furtado, nosso melhor pensador em economia, morreu deixando uma advertência, título de seu livro A construção interrompida (1993): "Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta no devir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-Nação" (p.35). Estas não podem prevalecer. Temos condições de completar a construção do Brasil, derrotando-as com Lula e as forças que realizarão o sonho de Celso Furtado e o nosso.
*Lonardo Boff é Teólogo, filósofo e escritor. É autor de Depois de 500 anos: que Brasil queremos