segunda-feira, 5 de julho de 2010

DERRUBEM O PRESIDENTE

Neste eu assino embaixo...

Copa 2010 | 16:56

DERRUBEM O PRESIDENTE

Ricardo Teixeira é presidente da CBF há 21 anos. Não foi eleito por ninguém a quem devamos alguma consideração. Foi eleito pelos patetas dos presidentes das federações estaduais. São 20 e poucos, que podem ser comprados com jogos de camisas e bolas. É bem fácil ser eleito presidente da CBF quando se tem dinheiro para comprar jogos de camisas e bolas.

Ricardo Teixeira é um mau elemento. Não precisa me processar, presidente. Mau é antônimo de bom, e elemento é apenas um substantivo, como abacaxi ou jarra. Mau porque não é um bom presidente, porque na Copa de 1994 a Receita Federal o pegou no pulo trazendo muamba, não sou eu que acuso, não precisa me processar, presidente. Mau porque escolheu Lazaroni e Dunga, porque foi sacana com Falcão e Leão.

Mau porque preside uma confederação de um esporte, o futebol, e aqui quer realizar uma Copa do Mundo de futebol, e o país cuja confederação ele preside não tem um estádio decente onde se possa jogar futebol. Não precisa me processar, presidente, digo isso baseado no fato de que todos os estádios da Copa de 2014 estão por ser construídos ou reformados.

Em 21 anos como presidente da confederação de futebol, portanto, Ricardo Teixeira não conseguiu que seu esporte tivesse um palco sequer apropriado para a prática do esporte cuja confederação ele preside.

Não se trata, aqui, de tabular resultados. Foram seis Copas das quais o Brasil participou sob sua gestão, ganhou duas, chegou a uma final, em outras três se deu mal. Isso tudo é normal, no esporte ganha-se e perde-se, não importa. Mas foi sob sua gestão que o futebol do interior do Estado de São Paulo morreu, e isso me parece preocupante, foi na sua gestão que a Fonte Nova desabou, foi na sua gestão que o Campeonato Brasileiro virou Copa João Havelange porque os clubes estavam brigando com não sei quem, foi na sua gestão que as torcidas uniformizadas viraram gangues de criminosos, foi na sua gestão que as bandeiras foram proibidas nos estádios paulistas, foi na sua gestão que se viu o maior êxodo da história de jogadores para a Europa, para a Ásia, para o Oriente Médio, foi na sua gestão que desapareceu o futebol do Norte e do Centro-Oeste, foi na sua gestão que pegaram juízes vendendo resultados, foi na sua gestão que os empresários-urubus invadiram os clubes para tomar deles os garotos em começo de carreira.

Assim, sinto-me à vontade para dizer que Ricardo Teixeira é um mau elemento, ou um mau presidente, ou um mau dirigente, como queiram, e sinto-me mais à vontade ainda para não gostar dele e, portanto, de nada do que sai de sua cabeça, porque o futebol brasileiro, resumindo, é uma merda: não tem estádios, os melhores jogadores não ficam aqui, a violência das torcidas é uma mazela, os horários dos jogos são o fim da picada e mais um monte de coisas.

Para mim, está na cara que tudo é culpa do Ricardo Teixeira. É ele o presidente da confederação que cuida do futebol. Se o futebol está uma merda, dou-me o direito de achá-lo um m… um mau elemento que não cuida do futebol.

Ele cuida de contratos. Com a Nike, com a Globo, com o Itaú, com a Brahma, com a Seara, com a TAM, com a Gillette, com a puta que o pariu. Não me interesso por contratos. A CBF virou uma empresa que administra contratos e que tem um produto, a seleção brasileira. Não passa disso. Caga para o futebol. Agora há pouco, aliás, a CBF acabou de devolver o comando da gestão midiática de sua seleção à TV Globo, numa melosa entrevista no canal Sportv, conduzida por Galvão Bueno, Renato Maurício Prado, Paulo César Vasconcelos e Arnaldo César Coelho, que passaram uma hora lambendo Ricardo Teixeira, depositando toda a culpa da má Copa em Dunga (que, se bem me lembro, foi escolhido por Ricardo Teixeira), que só virou vilão na Globo porque não deu privilégios à Globo, a única coisa que prestou em sua gestão.

Por isso, enquanto Ricardo Teixeira for o presidente da CBF, nada vai acontecer. E ele será, enquanto quiser. A não ser que…

A não ser que as pesoas de bem que militam no futebol reajam.

É preciso que as pessoas de bem que militam no futebol se manifestem. Assim: Felipão é chamado para a seleção; não aceita, e diz porquê. Leonardo, o do Milan, idem: convoca uma coletiva e diz que não quer, porque não pode servir a alguém como Ricardo Teixeira. Mano Menezes é convocado: responde que não pelo Twitter, para todo mundo saber que não tem a menor intenção de ser funcionário de uma empresa que administra contratos e não liga para futebol.

E jogadores poderiam recusar convocações, e torcedores poderiam se recusar a comprar camisetas amarelas, e as emissoras de TV poderiam se recusar a transmitir os jogos do time da CBF, e aí o Ricardo Teixeira iria à falência, ou entregaria o cargo.

E aí o governo federal poderia baixar uma norma através de seu Ministério de Esportes proibindo qualquer confederação esportiva de ter presidentes que permaneçam no cargo por mais de duas gestões, algo fácil de se fazer, para que o futebol, quem sabe, caia nas mãos de gente boa, honesta, respeitada.

Para que um dia, quem sabe, a CBF possa ser presidida pelo Zico, ou pelo Sócrates, ou pelo Raí, ou pelo Rogério Ceni, ou pelo Marcos, ou pelo Paulo Autuori, ou pelo Mano Menezes, ou pelo Tostão, ou pelo Xico Sá, por gente que vive ou viveu do e no futebol, e não por alguém como Ricardo Teixeira, que só está lá há 21 anos porque era genro de João Havelange, outro elemento que adora o poder eterno, para que a seleção brasileira volte a ser formada por jogadores do Flamengo, do Corinthians, do Palmeiras, do Galo, do Inter, do São Paulo, do Santos, do Fluminense, para que a seleção brasileira use camisetas da Penalty ou da Lupo, jogue no Maracanã, no Morumbi, no Beira-Rio, no Couto Pereira, no Mineirão, e não em Londres, para onde não posso ir com tanta frequência assim.

Autor: Flavio Gomes

domingo, 4 de julho de 2010

CYBERBULLYING PUNE MÃE DO RESPONSÁVEL

Agora que abriu jurisprudência Já era !

http://educacao.uol.com.br/ultnot/2010/07/02/mae-e-condenada-por-bullying-praticado-por-filho-no-rs.jhtm

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul condenou nesta semana a
mãe de um adolescente que cometeu cyberbullying (uso de meios
eletrônicos para comportamento hostil). O menor criou uma página na
internet com a finalidade de ofender um colega de classe. A mãe terá de
pagar indenização por danos morais no valor de R$ 5 mil, corrigidos
monetariamente.
De acordo com a Justiça, a vítima entrou com uma ação na cidade de
Carazinho, alegando que fotos suas foram copiadas e alteradas, dando
origem a um fotolog (espécie de diário fotográfico online) criado em seu
nome. Na página, foram postadas mensagens levianas e ofensivas, segundo
a vítima. Além disso, foram feitas montagens fotográficas nas quais o
autor é retratado em cenas constrangedoras.
Segundo ele, após muita insistência e denúncias por mais de um mês, o
provedor cancelou o fotolog. Na sequência, o autor começou a receber
e-mails com conteúdo ofensivo, razão pela qual providenciou registro de
ocorrência policial e ingressou com ação cautelar para que o provedor
fornecesse dados sobre a identidade do proprietário do computador de
onde as mensagens foram postadas, chegando ao nome da mãe de um colega
de classe.
Os fatos ocorreram enquanto o autor ainda era adolescente e, segundo
ele, foram muito prejudiciais, havendo necessidade de recorrer a auxílio
psicológico. Por essas razões, sustentou que a mãe do criador da página
deveria ser responsabilizada já que as mensagens partiram de seu
computador, bem como o provedor, por permitir a divulgação do fotolog.
No 1º Grau, a Juíza de Direito Taís Culau de Barros, da 1ª Vara Cível
de Carazinho, condenou a mãe ao pagamento de indenização por dano moral
no valor de R$ 5 mil e descartou a responsabilidade por parte do
provedor de internet. "Os fatos são claros: em face da ausência de
limites que acomete muitos jovens nos dias de hoje, vide os inúmeros
casos de bullying e inclusive atrocidades cometidas por adolescentes que
vêm a público, o filho da ré, e quem sabe outros amigos, resolveram
ofender, achincalhar, e quiçá, fazer com que o autor se sentisse bobo
perante a comunidade de Carazinho", diz a sentença.



Att
Helez C. Merlin
Leia
http://amamosfisica.blogspot.com
www.eadlab.com/fisica
Física, Música e Afins.

YEDA TROCOU VOTOS POR OBRAS

Deputado diz que Yeda trocou votos por obras e revela quem foram alguns dos beneficiados

O deputado estadual Edson Brum (PMDB) revelou ao Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul (edição de 18/06/2010), um esquema de troca de votos de parlamentares na Assembléia por obras no interior do Estado, patrocinado pela governadora Yeda Crusius (PSDB). Ao defender a paternidade do asfaltamento da RS 403 (estrada que liga Cachoeira do Sul a Rio Pardo), Brum, cujo lema do mandato é “Política consciente e ativa”, revelou:

“Em troca de votar a favor do projeto de lei que cortou o ponto dos professores grevistas no ano passado, os deputados ganharam da governadora Yeda Crusius o direito de escolher uma obra. Eu escolhi a RS 403. Já a Zilá pediu pavimentação em uma estrada da cidade dela (Três Passos) e o Brito beneficiou a região centro-serra.”

A confissão descuidada do parlamentar, que aparentemente considera absolutamente normal a troca de votos, ilustra no detalhe o chamado “novo jeito de governar” de Yeda Crusius. Entusiastas da transparência, os parlamentares poderiam informar à sociedade qual foi a moeda de outros votos e por que eles tiveram que “ganhar” uma obra para votar numa determinada proposta. E a governadora, que possui uma noção peculiar acerca da democracia, poderia esclarecer quais outras obras foram utilizadas para “convencer” parlamentares em determinadas votações. A maioria dos prefeitos do Rio Grande do Sul, que não foi agraciada com esse comércio de votos, e pode ficar curiosa acerca de como o esquema funciona e quais foram os principais beneficiados.

Outra informação curiosa fornecida pelo deputado Edson Brum é a de que uma das principais lideranças do governo Yeda na Assembléia, a deputada Zilá Breitenbach (PSDB) precisou de uma “ajuda” para votar um projeto do interesse de sua governadora. Lealdade é isso aí…

sábado, 3 de julho de 2010

O ABANDONO DO ARAÚJO VIANA DO SUL 21

Josias Bervanger

josiasbervanger@sul21.com.br

Há cinco anos o Auditório Araújo Vianna está fechado. Dois anos depois, em 2007, a Prefeitura anunciou sua recuperação. Porém hoje o histórico auditório é um depósito de lixo e albergue para moradores de rua. Os tapumes colocados recentemente não conseguem esconder o descaso.

A empresa ganhadora da licitação para reforma do Araújo Vianna responde a processo no Ministério Público. Em fevereiro de 2010, a vereadora petista Sofia Cavedon solicitou a 5ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio esclarecimentos por escrito sobre o processo crime que envolve a Opus Assessoria e Produções Artísticas Ltda. Como resposta, o promotor Cesar Luis de Araújo Faccioli disse, por e-mail, que “foi decretado o sigilo de investigação”. Ainda de acordo com a resposta do promotor, "o expediente corre sob a presidência do Dr. Eduardo Tedesco, titular da 5ª Promotoria."

A Promotoria de Patrimônio Público do MP/RS também já fez notificações à Prefeitura de Porto Alegre, solicitando informações sobre as denúncias de abandono do Auditório Araújo Vianna. A vereadora Sofia informou ao Sul 21 que foi feita reunião com a Comissão de Cultura da Câmara em fevereiro. “Os promotores Cesar Luís de Araújo Faccioli e Edes Ferreira dos Santos Cunha nos disseram que os pedidos de informação não foram respondidos”, diz a vereadora.

Em meio aos questionamentos, o Termo de Permissão de Uso Parcial de Bem Público firmado entre a Administração Municipal e a empresa permissionária dá algumas pistas que podem explicar o abandono e a demora no início das obras. Uma delas é sobre a flexibilidade na exigência de cumprimento dos prazos por parte da empresa ganhadora. No item 1.5 do objeto do contrato - que trata do prazo para a execução da obra - ao mesmo tempo é colocado uma exigência para a execução e uma flexibilização nesse limite, sem estabelecer novos prazos. “A Permissionária deverá executar e concluir as obras de cobertura e reforma interna e externa do prédio no prazo máximo de 18 (dezoito) meses, prorrogáveis por acordo entre as partes”, diz o texto.

Outro fato que chama a atenção é o cerceamento a atividades cívicas. No item 1.2 se lê que “é vedado o uso do imóvel para atividades diversas das estabelecidas na subcláusula 1.1, especialmente a realização de propaganda político-partidária e atividades de cunho religioso e sindical”.

Araújo Vianna abandonado

Ferrugem nas grades, paredes repletas de musgo, vidros quebrados e lixo de todo o tipo, por todos os lados. Do lado de fora a grama avança tomando o lugar do calçamento arrebentado pela falta de manutenção. O cenário faz parte de um espaço que já foi referência da cultura em Porto Alegre. Na atual paisagem, o colorido e o poético ficam por conta de um ninho de caturritas que ocupou a torre do prédio abandonado.

Fechado em abril de 2005, o Araújo se transformou num símbolo do descaso do poder municipal com a cultura em Porto Alegre. O que se consagrou como um espaço tradicional que recebeu grandes shows musicais, como João Gilberto, Caetano Veloso, e palestras de nomes consagrados, como o escritor português e prêmio Nobel de Literatura José Saramago, hoje está de portas fechadas.

Segundo o presidente do Conselho Municipal de Cultura, Paulo Roberto Guimarães, em reunião do órgão (em fevereiro) que justamente tratou do tema do auditório, o secretário de Cultura, Sergius Gonzaga, responsabilizou a Secretaria de Obras e Viação pela demora do início da reformulação do espaço. “O secretário fez um ‘mea culpa’ e disse que o processo de liberação ficou 18 meses parado na Smov”, afirma Guimarães.

Nestes cinco anos em que o auditório permanece fechado, diversas declarações dos gestores municipais prometendo o início das obras de reformulação formaram um verdadeiro recital do abandono.

O Sul 21 tentou entrevistar o secretário de Cultura do município, Sergius Gonzaga, sobre o episódio, mas até o fechamento da matéria não foi possível falar com ele. Além disso, foram enviadas perguntas por e-mail para a assessoria de imprensa da SMC. A secretaria de Obras e Viação também foi contatada, mas afirmou que a obra já está liberada desde o ano passado e o assunto é um tema da Secretaria de Cultura.

A cronologia do atraso

Em maio de 2007, a Prefeitura anunciou a empresa vencedora da licitação para o uso do espaço, a Opus Produções. Dentre as obrigações desta, estariam a reforma interna (climatização, palco, cadeiras, banheiros, camarins e áreas de apoio) e externa, (cobertura acusticamente tratada para evitar transtornos aos moradores da área e melhorias no entorno do Araújo Vianna). Em troca, a Opus teria o direito de explorar comercialmente o auditório em 75% dos dias disponíveis, anualmente, e por um período limite de dez anos. O prazo de execução da obra seria de 18 meses, conforme anunciou a Prefeitura. O acordo ainda previa o uso, pela permissionária, de três salas e a exploração de espaços publicitários na parte externa.

Em maio de 2008, a Prefeitura de Porto Alegre noticiava que as reformas iniciariam em breve: “no final de junho deve iniciar a construção e a montagem do canteiro de obras. A previsão de conclusão da obra, segundo estimativas do secretário, é para o final de março do ano que vem (durante a Semana de Porto Alegre), se a previsão do tempo ajudar.”

Em setembro de 2008, novamente, a Administração Municipal afirma que as reformas terão inicio. Em uma matéria intitulada “Reforma do Araújo pode começar em 60 dias”, postada no site da Prefeitura de Porto Alegre, foi anunciada mais uma vez o início dos trabalhos no local.

“Em 18 meses a reforma que dará um teto definitivo e climatização ao Auditório Araújo Vianna deverá estar pronta.”, diz o texto que ainda citava a ordem de assinatura da obra pelas partes envolvidas: o secretário de Cultura de Porto Alegre, Sergius Gonzaga, e integrantes da Opus Produções. A mesma matéria ainda afirma que o secretário de Cultura formou um grupo de gestores para dar “agilidade” ao processo de reforma do espaço.

“Sergius Gonzaga informou que um grupo interdisciplinar de trabalho, envolvendo as secretarias de Planejamento (SPM), de Meio Ambiente (Smam) e Obras e Viação (Smov), será formado para dar agilidade ao Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU), tão logo o detalhamento do projeto seja entregue pelos arquitetos. A partir deste momento, estimado em torno de 60 dias, a obra estrutural poderá ser iniciada”, diz a notícia.

Em 2009, os anúncios de início das obras se sucedem na imprensa gaúcha, assim como em 2010. “Mais uma etapa vencida para as obras da cobertura do Auditório Araújo Vianna. A Comissão de Análise Urbanística e Gerenciamento (Cauge) da Secretaria do Planejamento Municipal aprovou, ontem, 13, o Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) da construção que oferecerá melhores condições de acústica e mais segurança.”, diz a Prefeitura em maio de 2009.

Audiovisual: assita o vídeo do jornal Sul21 sobre o descaso com o Auditório Araújo Vianna.

ENTREVISTA DO JUCA KFOURI NO LE MONDE

ENTREVISTA/JUCA KFOURI
“O Brasil não é o país do futebol”

É isso mesmo. Segundo Juca Kfouri, “o Brasil não é o país do futebol”. E para sustentar seu argumento, Juca lança mão de uma pesquisa do DataFolha “que mostra que maior que a torcida do Flamengo são as pessoas que dizem não ter time de coração: 25%!”. Conversamos sobre essas e muitas outras questões com o jornalista

por Maíra Kubík Mano e Silvio Caccia Brava

DIPLOMATIQUE – Há uma citação bastante conhecida do historiador Eric Hobsbwam sobre o futebol carregar o conflito essencial da globalização. O que você acha disso?

JUCA KFOURI – É muito boa essa sacada dele. A globalização fez com que o mundo de futebol se conhecesse inteiramente, ao menos do ponto de vista tático do jogo. Ninguém surpreende mais ninguém. Ao mesmo tempo, a globalização permitiu aos países mais fortes tomarem daqueles periféricos os seus maiores talentos. Nós somos prova disso, assim como os argentinos. A concentração de capital na Europa e na Ásia permite a eles levarem os nossos talentos. Mas, paradoxalmente, esses talentos têm de provar a sua capacidade lá fora para servir às seleções nacionais. Acaba sendo um jogo dialético. Quer dizer, a chancela do nacional vem do globalizado, o que, de alguma maneira, permite retomar a ideia do Dostoievsky de que não há nada mais universal do que a esquina da sua casa. Ou aquela do Fernando Pessoa, quando diz que o Rio Tejo é mais bonito do que o rio que passa na minha aldeia, mas o Rio Tejo não é mais bonito do que o rio que passa na minha aldeia porque não é o rio que passa na minha aldeia. Acabamos de ver isso com a convocação do Dunga: tem dois jogadores de times brasileiros que vão jogar a Copa do Mundo pelo Brasil. Dois. Esse fenômeno ocorre claramente a partir do começo dos anos 1980.

DIPLOMATIQUE – Um dos grandes responsáveis para dar essa tônica ao futebol, ao que tudo indica, foi João Havelange. É coincidência ter sido um brasileiro?

KFOURI – Não. É aquilo de a pessoa estar no lugar certo, na hora certa. O João Havelange assumiu a FIFA (Federação Internacional de Futebol) em 1974. A eleição dele ocorreu no Congresso anterior à Copa da Alemanha e, portanto, após a primeira Copa do Mundo transmitida para o mundo inteiro pela televisão, a de 1970, no México. Havelange assumiu a FIFA com um evento que já era globalizado e se deu conta disso. Em seguida, montou um pequeno grupo com empresas como Adidas e Coca-Cola e, aos poucos, foi gerando o império que a federação é hoje. É inegável que ele teve esta visão de capitalismo selvagem. E esse modelo – perverso – montado pela FIFA é reproduzido aqui pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol). É o modelo de seitas, de pequenos grupos.

DIPLOMATIQUE – É possível traçar um paralelo entre essa situação e a especulação desenfreada do sistema financeiro, que recentemente arrastou o mundo para uma enorme crise? Não seria necessário algum tipo de regulamentação?

KFOURI – Sem dúvida. Hoje na Europa há muita gente boa preocupada com isso. Veja o caso brasileiro: se fizermos um seminário para discutir o futebol aqui entre dirigentes, comissões técnicas, atletas, jornalistas, governo e torcedores, todos concordarão que do jeito que está não pode continuar. Haverá unanimidade, ninguém dirá diferente. Mas se todo o mundo está de acordo por que não mudar? Quem ganha com isso? A quem interessa? Bem, o futebol é a maior das indústrias do entretenimento e o esporte em si é uma das instituições mais favoráveis à lavagem de dinheiro. É uma grande lavanderia. Por quê? Porque lida com uma altíssima dose de subjetividade. Quanto custa o Lionel Messi? Eu digo para você, 120 milhões de euros. Você responde ‘barbaridade, é dinheiro pra chuchu’. Mas eu posso dizer ‘não, que 120 nada, são 150 milhões de euros’. O Manchester United estaria disposto a pagar ao Barcelona esse valor. Mas e aí, alguém vale 150 milhões de euros? E diante disso, quanto valeria o Pelé? Ah, 300 milhões de euros. Mas só o dobro, o Pelé? É, talvez, 500 milhões de euros. Ou seja, é um saco sem fundo.

DIPLOMATIQUE – Mas e como os jogadores ficam nessa situação de mercadoria valendo milhões? Penso, por exemplo, no Vagner Love e no Adriano: quando eles voltaram para as comunidades deles foi um escândalo sem tamanho, revelando essa discrepância entre os salários, o status e a origem de cada um.

KFOURI – Aí há outra questão que, para mim, talvez seja a mais angustiante e que dá o outro lado dessa moeda tão rica, tão aparentemente glamorosa. Sabe quantos clubes brasileiros têm departamento de recursos humanos? Nenhum. Nenhum clube se preocupa em encaminhar uma carreira junto ao seu trabalhador. Há um paternalismo, um dirigente mais jeitoso aqui e ali, mas não existe uma coisa mais estruturada. E embora já haja alguns clubes que trabalhem com psicólogos especializados em esporte, em regra se considera isso frescura. Será que não é preciso tratar a cabeça de um garoto desses que vem da favela, que ontem estava pensando se ia conseguir almoçar e que hoje está comprando uma Mercedes-Benz último tipo blindada? É de uma baita irresponsabilidade e de uma burrice ignorar isso. Em última análise, os clubes não querem pagar R$ 15 mil por mês para um terapeuta cuidar de quem ganha R$ 400 mil por mês e será vendido por R$ 80 milhões. E aí as pessoas se horrorizam porque o Adriano foi até a favela e os caras que o receberam estavam armados. O Vagner Love disse: ‘qual é a surpresa? Ou vocês já viram alguém chegar lá em cima sem passar por ninguém armado? Isso já era assim quando eu era criança’. Mas a hipocrisia é de tal tamanho que as pessoas se horrorizam com jogadores de futebol ao mesmo tempo em que parecem esquecer que o Michael Jackson precisou comprar sua autorização para filmar no morro. E que para fazer os Jogos Pan-americanos em paz o governador do Rio de Janeiro teve que estabelecer um acordo com o tráfico.

DIPLOMATIQUE – Qual é a força dos impérios da CBF e da FIFA?

KFOURI – É tão poderoso que nos próximos quatro anos vai haver uma discussão aqui no Brasil sobre cedermos a nossa soberania para a FIFA. Veja o exemplo da Copa da Alemanha: na terra da cerveja, só a Budweiser americana podia ser vendida dentro dos estádios. Os alemães ficaram enlouquecidos, mas é assim que funciona: a FIFA manda. Isto advém desse insuperável poder de sedução que o futebol tem. Quando o Lula ganhou a eleição em 2002, me pediu que eu reunisse um grupo de pessoas e apresentasse um projeto de política esportiva para o Brasil, porque simplesmente não havia nenhum. Em 25 dias, a toque de caixa, fizemos um plano que era basicamente de inclusão social por meio do esporte. Partimos de um dado da Organização Mundial da Saúde de que a cada dólar investido em esporte, poupam-se três dólares em saúde pública. Tratava-se de uma massificação da coisa. Por mim, esporte de alto rendimento ficaria por conta da iniciativa privada, o governo não precisava cuidar disso. Mas o projeto virou tábula rasa, ele até agradeceu muito, mas não aconteceu nada. O Lula teve a generosidade de assinar, como as duas primeiras leis de seu mandato, em 2002, o Estatuto do Torcedor e a chamada Lei de Moralização do Esporte. Elas haviam sido gestadas e acordadas como as únicas duas leis aprovadas por unanimidade na gestão anterior do Fernando Henrique Cardoso. Fui convidado para acompanhar a assinatura das leis. Eu cheguei ao palácio e, para a minha surpresa e o meu constrangimento, veio um cara do cerimonial, e me levou para sentar à mesa, junto com os ministros. Eu não queria, disse que iria lá para trás, mas não teve jeito. Sentei ali e o Lula começou o seu discurso e disse, literalmente: ‘Senhoras e senhores, nunca mais vamos ouvir o jornalista Juca Kfouri dizer que no Brasil o torcedor é tratado feito gado’. O auditório veio abaixo com palmas. Eu não sabia onde enfiar a perna, o braço, a gravata. Ele encerrou 30 minutos depois dizendo que a minha presença lá era simbólica para todos aqueles jornalistas que foram processados por essa cartolagem malsã. Eu saí dessa cerimônia esmurrando o ar – embora já sem o direito à ingenuidade, aos 52 anos. Muito bem. Seis meses depois, o Lula estava de braço dado com o Ricardo Teixeira para o jogo do Haiti. E seis anos depois deu a Timemania [loteria organizada pelo governo federal] para os caras que deixaram os times brasileiros endividados, sem a exigência de nenhuma contrapartida de modelo de gestão. O resultado? Os times já estão falindo de novo e precisando de uma Timemania 2.

DIPLOMATIQUE – E dá tempo de a Copa do Mundo aqui não ser uma farra, essa desorganização?


KFOURI – Não dá mais tempo. Corremos o mesmo risco que a África do Sul em relação à Copa do Mundo: que ela seja um desastre. Tudo leva a crer que isso é possível. Na África do Sul, por exemplo, não há nem torcida porque eles não têm poder aquisitivo.

DIPLOMATIQUE – Sim, a princípio a venda de ingressos para a Copa de agora estava sendo via internet e por cartão de crédito, como os africanos iriam conseguir comprar?

KFOURI – A reação da economia informal está sendo armada. E não é apenas a questão dos ingressos. Com a Copa, construíram-se meios de transporte público em Joannesburgo que quebraram o grande jeito de se locomover na cidade: as lotações clandestinas. Você pode ter não só um fracasso do ponto de vista da presença de público, como se teme que um jornalista seja morto, um membro de delegação seja sequestrado, alguma coisa desse tipo aconteça. Os alemães já disseram que vão desembarcar de colete à prova de balas. É uma coisa de maluco pensar que você vai fazer a Copa do Mundo num lugar que alguém chegue desse jeito, não é? Os europeus são bem capazes, se acontecer alguma coisa, de dizerem que não dá para fazer uma outra Copa seguida no Terceiro Mundo. E os americanos estão loucos para tirar alguma coisa do Brasil, como as Olimpíadas. Claro, há que se considerar que o Ricardo Teixeira articulou isso direito, ele tem lá a sua força.

DIPLOMATIQUE – E nós corremos riscos de os ingressos aqui também não serem acessíveis para o grosso da população, como na África do Sul?

KFOURI – Eu imagino ainda que o que vai acabar acontecendo é que eles vão abrir. Vão vender a preço popular. De qualquer forma, o Brasil não é o país do futebol. Acabou de sair uma pesquisa do DataFolha que mostra que maior do que a torcida do Flamengo são as pessoas que dizem não ter time de coração: 25%! Depois vem o Flamengo, com 17% e o Corinthians com 14%. Na Argentina, em uma pesquisa igual, apenas 7% disseram não ter clube! E mais do que isso, nós somos absolutamente auto-suficientes em matéria de futebol. ‘Conosco ninguém podosco’, se diz por aí. Somos cinco vezes campeões do mundo. Damos as cartas. O brasileiro não vai ver Zaire e Noruega. O brasileiro não vai ver Costa Rica e Suécia. Pode ir ver Argentina e Inglaterra, França e Itália, Alemanha e Uruguai. Mas aqueles joguinhos mais periféricos não. No primeiro mundo, vão. Até nos Estados Unidos foram. Não tinha um estádio vazio nos Estados Unidos. Tinha, é claro, um pouco a coisa do inusitado, que eles queriam ver que esporte é esse. Agora, aqui, o que justifica, para nós, sediar a Copa é mexer na infraestrutura do país. Não faz sentido discutir a construção dos estádios para um evento de um mês. Em um país com as nossas carências é preciso refazer os aeroportos, dar uma belíssima de uma investida na área hospitalar, no transporte coletivo etc. Um exemplo de país onde isso foi bem-sucedido é a Espanha. Em 1982 eles fizeram uma Copa do Mundo, o primeiro grande acontecimento lá pós-franquismo. A herança desse período ainda era muito presente, mas já se via ali um país novo nascendo. E dez anos depois, com as Olimpíadas de Barcelona, isso estava sedimentado. A Espanha era um país moderno, não mais a porta dos fundos da Europa. E os dois eventos foram e são cartões de visita dessa mudança. Ao mesmo tempo, a loucura que se fez na Grécia em torno das Olimpíadas de Atenas tem relação direta com a crise econômica atual lá. Outro dia ouvi o Sócrates dizer que tem medo que tudo o que o Lula acumulou nesses oito anos de boa imagem para o Brasil no exterior a gente jogue fora com dois eventos perdulários feitos sob escândalos. E faz sentido.
Veja só, eu fui cobrir o jogo Brasil e Noruega na Copa da França, em 1998, no mesmo estádio em que o Brasil tinha jogado em 1938, em Marselha. No mesmíssimo estádio. Deram uma ajeitada, claro, mas a estrutura era igual. O Morumbi não é um bom estádio, é frio, tem ponto cego... É um horror para o dia a dia. Mas está aí há quase 50 anos. Dizer que não dá para fazer quatro ou cinco jogos de uma competição internacional lá é mentira. Também não dá para fazer de maneira ideal no Maracanã ou no Mineirão. Mas daí a jogar isso tudo no chão... Eu não estou nem falando do Pan-americano, que custou dez vezes mais do que estava orçado – e que foi feito com dinheiro público, apesar de estar previsto para a iniciativa privada. Aliás, você sabia que o Engenhão não vai servir para a Copa e que o parque aquático Maria Lenk não é adequado às Olimpíadas? Enfim, qual é a diferença entre você reformar e fazer um novo?

*Leia a íntegra da entrevista na edição 35 de Le Monde Diplomatique Brasil, já nas bancas

Maíra Kubík Mano e Silvio Caccia Brava São os editores do Le Monde Diplomatique Brasil

PARAGUAIOS PROTESTAM CONTRA PRECONCEITO GLOBAL

O nome disso é RACISMO. Vergonha do racismo da @SporTV e da @rede_globo


Vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=DTOzjyKruN0

O nome disso é RACISMO. Vergonha do racismo da @SporTV e da @rede_globo. Governo brasileiro deveria pedir desculpas oficiais e notificar emissora.

Veja o vídeo acima e leia no texto de Cristina P. Rodrigues:

Racismo na SporTV

Racismo na SporTV

“O jornal paraguaio La Nacióndiz que a Laranja Mecânica foi responsável por “acallar a la soberbia brasileña”. E por “brasileira” ele se refere à Rede Globo, não ao país como um todo, como fica claro logo nas frases seguintes. A crítica se dirige especialmente à SporTV, canal fechado que pertence à emissora e que divulgou um vídeo desrespeitoso [acima] à Seleção Paraguaia e ao Paraguai, a seu povo.

O desrespeito vai além do futebol, segundo o jornal: “ironizan sobre nuestras comidas y nuestras costumbres”, em linguagem debochada. O único valor paraguaio apresentado pelo vídeo é Larissa Riquelme, a “novia del Mundial”. Além de agressivo com os paraguaios, o curta é machista. Desvaloriza todo um povo e todo um gênero. As mulheres são vistas como objetos.

A matéria se coloca ao lado de Dunga pela resistência aos abusos da Globo. E completa: “La Naranja Mecánica se encargó así de hacer justicia y dar una gran lección a quienes tienen en el corazón una rabia innecesaria hacia una nación pobre pero digna”.

Mesmo que o grau de deboche fosse exagerado pelos paraguaios, chamaria a atenção que a Globo já vem recebendo críticas internacionais por conta da sua irresponsabilidade na forma de fazer jornalismo. Mas não é o caso, a ironia é de fato extremamente ofensiva. O vídeo trata o nosso vizinho como um país desprovido de quaisquer qualidades, feio, triste, pobre. É asqueroso.

Debochar de outros países extrapola os limites do esporte, do futebol, e avança no terreno político. São as relações internacionais brasileiras, são povos, são culturas. Pode haver diferenças, mas não há como definir melhores e piores. É aí que entra o respeito. Ou deveria entrar.

A Globo transferiu a ironia que dedica à política externa do governo Lula ao futebol. Fez mal, muito mal. E ficou bem feio.”

O BOM SENSO DE TOSTÃO

É claro que o dito bom senso não acompanha muito nossos raciocínios sobre nossa seleção de futebol, mas alguém tem que parar para pensar um pouco.
Aí vai a pelotada de Tostão sobre nossa eliminação:

Tostão, na Folha, sobre a derrota do Brasil:

“O Brasil repetiu a Copa de 2006, quando o Brasil foi eliminado nas quartas-de-final pela França. O interessante é que o Brasil que sempre fez muitos gols em jogadas aéreas levou dois gols em jogadas aéreas. O Brasil, que ficou quatro anos procurando um lateral esquerdo acabou levando gols em jogadas que iniciaram ali na lateral esquerda. O Brasil perdeu, como em 2006, para um time que não é inferior, isso que é importante, é um time do mesmo nível, não foi uma zebra, não foi nenhuma tragédia, nenhum desastre do ponto-de-vista técnico, porque o time da Holanda é tão bom quanto o do Brasil, assim como o time da França era tão bom ou até melhor que o do Brasil em 2006. O Brasil fez um primeiro tempo belíssimo, foi o melhor primeiro tempo da Copa, do Brasil, e o pior segundo tempo, onde deu tudo errado. Também como era previsto, todo mundo tinha medo que o Felipe Melo ia acabar sendo expulso num jogo da Copa e aconteceu no pior momento, na hora em que o Brasil perdia o jogo e precisava reagir. E aí, o desespero, o Brasil com um a menos, quase que leva o terceiro gol, eles tiveram mais chance de fazer o terceiro que o Brasil empatar o jogo. O Brasil precisa perder a soberba de achar que só o Brasil que é bom de bola e que só o Brasil tem craques, do outro lado tinha Sneijder, tinha Robben, tinha grandes jogadores, como em 2006 tinha Zidane, tinha Henry, então do ponto-de-vista técnico foi um resultado normal”.

Matéria publicada por Leda Ribeiro (Colaboradora do Blog do Saraiva)